Encostei o meu corpo a outro que não me era familiar.
A curiosidade venceu a estranheza que senti e beijei-o. Um beijo diferente dos que tanto gostava. Mas não fui capaz de parar.
Libertei-me finalmente de todos os sentimentos e passei a sentir só o contacto físico, quente, áspero, ofegante. Libertei-me. Esqueci o amor.
Lembrei-me de como era ter prazer sem sentir absolutamente mais nada. Foi muito bom. Fomos dois corpos que se souberam completar, numa dança longa e bem coordenada, que se prolongou até durante o sono que se seguiu. Dormimos abraçados. Acordamos abraçados. Foi bom até aquele último beijo, que era diferente dos que tanto gostava. E depois separamos os nossos corpos estranhos quase sem dizer adeus.
E depois acaba. Já não sinto nada. Nem prazer, nem saudade. Olho para mim ao espelho. Nada mais resta, a não ser uma ou outra marca no corpo, deixada num instante mais intenso. Não fica uma recordação quente, nem feliz.
Só os meus olhos estão tristes. E faço um sorriso, triste também. O amor afinal ainda está cá.


6 comentários:
Alguém assim como você,certamente não ficará sozinha por muito tempo.
A menos que os portugueses sejam cegos e insensíveis. Muito bonita a sua poesia.
Mirantesul, obrigada pela simpatia :)
É sempre agradável ter umas relações "anónimas". Amar é uma tarefa trabalhosa e que traz muitas dores de cabeça.
O prazer da carne é uma coisa fantástica.
NegroDeMente, concordo contigo. E agradável é a palavra. E com ou sem amor, não passo sem esse prazer. Só assim consigo sentir-me viva!
Mas amar nunca me custou. O difícil está a ser deixar de amar...
;)
Isto prova o quanto amor é bem diferente do sexo. Não necessariamente é preciso haver amor para passar um momento legal com alguém por quem sentimos algo não muito além de um carinho.
Não é preciso haver amor para haver sexo. Sim, precisa: o amor a si mesma :-)
Beijinho :-*
Giovana, é isso mesmo. E esse amor é que não pode nunca faltar. :)
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